JUCY desponta como protagonista do Alt-R&B nacional com seu álbum: DRAMA Queen
Por João Victor Pessanha / Capa: Raffael Paiva
No último dia primeiro, Jucy (@jucymermo) lançou o seu primeiro álbum de estúdio: DRAMA Queen, de forma independente. Fazendo jus a um álbum de estreia, o material condensa uma excelente apresentação da artista. A partir da intro Louca, Sexy, Legal, somos convidados a entrar num ambiente noturno, com luz baixa, cheiro de erva-doce, drink tropical, sorrisos, gente bonita e muito flerte.

Se você ainda não ouviu falar de Jucy é melhor você se acostumar com esse nome. Juciany Gonçalves Barros, ou somente Jucy, já tem um currículo respeitável de lançamentos e, desde 2018, tem sido um rosto conhecido no midstream do Hip-Hop e R&B carioca e paulistano. Cria da Gardênia Azul, no Rio, a cantora, atriz, modelo e produtora cultural de 29 anos já esteve no Palco Favela do Rock in Rio e colaborou com nomes como o gigante do rap brasileiro DEXTER, além de DJ CIA, Diomedes Chinaski, Marcello Gugu e ONNI.
O álbum é repleto de nuances e nos conduz a conhecer todas as loucuras, desejos e a forte personalidade da mãe do menino Adriano. Em Casual temos o melhor que um R&B pode oferecer: melodias gostosas e inesquecíveis, daquelas que ficamos ouvindo internamente quando fechamos os olhos pra dormir. Já Suculenta bebe na fonte do afrobeats para reforçar a rebolatividade provocada na faixa anterior, evidenciando o potencial pop da cantora.
Quer saber? Dá um play enquanto você termina de ler essa matéria. Tem umas músicas aqui que você nunca mais vai esquecer:
Faço o Din é uma ode às influências do R&B dos anos 90 e 2000 que Jucy carrega consigo: Faith Evans, Janet Jackson, Ashanti, Kelly Rowland ou Jill Scott poderiam ter gravado essa track facilmente. Mas não se engane com as melodias bonitas e precisas, um dos pontos mais fortes do trabalho de Jucy é sua habilidade de composição. É impossível alguém que já sonhou em ser artista e se deparou com as barreiras da vida adulta – como o trabalho formal – não se identificar com a história, que narra a assinatura de uma demissão e revira-volta de um ex-patrão que agora queria investir em sua carreira.
No meio do álbum, Jucy parece mergulhar em seu subconsciente e uma atmosfera mais densa e melancólica toma conta da sonoridade. Enjoada, O Amor Decide e Posso Ser Real são, talvez, as faixas mais Hip-Hop do disco, sendo a última um boombap legítimo, muito próximo do caminho que os rappers estão percorrendo para combater a saturação causada pelo trap, sobretudo em tempos de TikTok e pandemia.
Um álbum com cara de álbum
Confesso que faz tempo que um álbum não me empolga tanto. É muito comum na cena pop ou mainstream que álbuns sejam apenas um compilado de músicas reunidas e entregues num mesmo material. Em DRAMA Queen Jucy nos lembra como um disco deve ser: um desenho da personalidade artística e sonoridades que o artista pode explorar com nuances, altos e baixos – seja na carreira como um todo, ou naquele projeto em específico.

Este é um desabafo sincero e uma forma de me mostrar melhor no mercado, é também
uma contribuição à música preta brasileira, um passo maior e a abertura para novas
possibilidades. Espero que este álbum conecte quem vive coisas parecidas com o que
vivo, que curte e fomenta a música independente, que ele traga esperança para além de
tudo, reverbere de forma sincera e se torne atemporal!Diz Jucy sobre DRAMA Queen
Nas quatro últimas faixas predominam os acordes maiores e solares. Flertando com uma sonoridade mais jazz, Gastando a Onda lembra os tempos coloridos de Solange com T.O.N.Y., ou mesmo sua irmã mais velha com Love On Top, caso ela fosse mais acústica. Cria & Calculista fala sobre todo o processo da cantora até o álbum: da imaturidade, fome as frustrações das tentativas do início até o amadurecimento, assertividade e tranquilidade do acerto que é DRAMA Queen.
Ela sabe o que está fazendo
Banho de Ervas e Dançando Com a Solidão fecham o álbum de forma feliz e esperançosa com tudo o que Jucy vai colher após jogar essa joia da música negra afro-brasileira moderna no mundo. Em Dançando Com a Solidão, a referência à clássica A Beleza é Você Menina, de Bebeto, combina com o refrão gostoso que nos convida a dançar sozinhos na sala com luz apagada e um vinho tinto na mão.

Ainda que tenha momentos experimentais, DRAMA Queen tem a solidez de uma artista experiente que finalmente encontrou sua gig, sua onda, sua gente e suas cores. As guitarras de João Passer e Thiago Ticana, a bateria de Sorry Drummer e o baixo Junior Bass dão corpo e brilho às produções de DJ CIA, Juan O Mago, Lossio e Filiph Neo. Ainda assinam o projeto: Raffael Vieira, fotografando a capa, Rachel Vieira, no stylin, e Marcos Weverthon, no cabelo e maquiagem.
Cá entre nós: não sei como os A&R das gravadoras e distribuidoras estão fazendo que não estão caindo no tapa para ter Jucy no seu casting. Com DRAMA Queen ela prova a força da cena independente, mas confesso que fico curioso para ver até onde ela pode chegar com toda a infraestrutura que ela merece.
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