Recentemente, Justin Bieber lançou seu novo álbum de estúdio chamado SWAG, que traz uma faixa-interlúdio chamada SOULFUL, com um trecho polêmico. O conteúdo dessa música levanta questionamentos sobre a persona de Bieber, seu papel na indústria e, principalmente, sobre quem ele representa e o que isso diz sobre o consumo de música e produtos ligados à cultura negra.
“Esse álbum tem soul, você soa negro aqui. […] Sua pele é branca, mas sua alma é preta, Justin, te prometo” – diz Druski na nona faixa de SWAG.
Capa do álbum Swag, lançado em julho de 2025
A descoberta do pequeno astro
Desde o início, o cantor de Baby incorporou atributos da música preta em seus trabalhos. Apadrinhado por Usher – após uma batalha amistosa com Justin Timberlake -, o R&B sempre esteve presente em sua trajetória. Apresentado como galã teen, modelo para meninos e ídolo para meninas, Bieber rapidamente conquistou o mainstream, preenchendo um espaço “vago” na indústria, até então ocupado pelo próprio Timberlake.
O talento de Bieber é inegável, mas sua passabilidade também. É nítido que artistas negros do gênero tiveram muito mais dificuldades para serem assimilados pelo grande público, ou mesmo serem considerados símbolos de beleza: Jason Derulo, por exemplo, teve que se render às trends do TikTokpara se tornar conhecido entre o público jovem, mesmo com smash hits como Wigle no currículo.
A face perfeita para o POP R&B
Em 2010, foi indicado ao BET Awards (Black Entertainment Television Awards), algo raro para artistas não-negros. Stephen Hill, presidente de programação da premiação, afirmou:
“Ele tem ritmo em sua música. Ele faz o tipo de música que nossa audiência gosta.”
Bieber foi moldado como o rosto branco para uma música culturalmente preta, capaz de ampliar o alcance do gênero. Comportamentos, trejeitos, letras e estilo — tudo construído com referências negras, mas embalado de forma higienizada para aceitação global.
Com o tempo, Bieber incorporou cada vez mais elementos de estilo das ruas e da juventude negra. Calças saruel, gestos do chamado cool pose (postura descolada associada à resistência masculina negra), e até rumores de um swagger coach para moldar seu jeito de agir.
Matt Crossick/AP
“Jamal Bieber”
Em 2020, durante os protestos do Black Lives Matter, Bieber reconheceu ter se beneficiado da cultura negra e declarou apoio à causa. No álbum Justice (2021), incluiu o MLK Interlude com falas de Martin Luther King Jr., afirmando querer “amplificar a voz” do líder para as novas gerações.
A nova controvérsia com SOULFUL
Recentemente, no mais confuso e pessoal álbum da sua carreira, Bieber se sentiu confortável para incluir no álbum SWAG uma faixa que valida sua suposta “alma negra”.
Your skin white, but your soul black Justin, I promise you, man
Trecho declamado pelo ator e comediante Druski, na faixa.
A faixa SOULFUL expõe a contradição da indústria musical: a alta demanda por arte preta, mas com preferência por intérpretes brancos para alcançar maior alcance comercial.
Não parece conveniente pensarmos porque apesar de terem cantores negros relevantes como Jason Derulo e o próprio Chris Brown (considerando suas recorrentes polêmicas judiciais), Justin Bieber parece ter mais liberdade para experimentações, entregas medianas e compaixão diante dos seus episódios de instabilidade?
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